31/12/2025

2025 - no ultimo dia do ano...


Com tantos livros para ler (ou reler...) na minha biblioteca, tomei uma decisão no minimo diferente para a leitura do dia 31. Peguei "Sussurros da Escuridão" de H.P.Lovecraft para passar a virada do ano...

Nunca fui fã de literatura de terror ou mistério em geral, mas Lovecraft tem um lado "filosófico" que vale a pena investigar. Seus seres imaginários e extraterrestres têm muito a nos ensinar nos dias de hoje, especialmente os chamados “deuses cósmicos”, que não são maus no sentido tradicional. Eles simplesmente existem em uma escala tão superior que a humanidade se torna insignificante.

Para Lovecraft, a sociedade humana é frágil, limitada e construída sobre ilusões de controle, racionalidade e progresso. Essa percepção aparece quando personagens “civilizados”, acadêmicos ou representantes da ordem social entram em contato com realidades que escapam completamente às estruturas culturais, científicas e morais conhecidas. 

De certa forma, acompanhar as reportagens e postagens de redes sociais nesta ultima semana de 2025 aqui no Brasil quase me faz pensar muito próximo disto...

Feliz 2026, seja qual for sua teoria a respeito...rs!

16/12/2025

Uma citação de Chateaubriand

 


Em Memórias de Além-Túmulo, diz Chateabriand:

"As recordações que despertam em minha memória me subjulgam com sua força e seu volume. E, contudo, o que elas são para o resto do mundo?"


26/10/2025


Uma interpretação sensível (entre várias outras de Roy Hargrove) para Speak Low...

 https://link.deezer.com/s/31qz6XQ24ol3fOcTSIkqv

18/07/2025

Wasabi, de Alan Pauls

Mais um escritor argentino com lugar permanente em minha estante... Alan Pauls tem vários livros notáveis. Um deles, "Wasabi" é um romance fascinante que convida o leitor a refletir sobre os limites da realidade e da ficção, bem como sobre a fragilidade das relações humanas. Alan Pauls nos mergulha em um mundo onde o delírio e a lucidez se fundem, revelando a verdade escondida por trás das aparências. Uma obra-prima que não deixa ninguém indiferente e nos convida a questionar nossas próprias crenças e convicções.(extraído de https://resumenlibro.net/wasabi-alan-pauls/),

Selecionei a passagem a seguir, que mantem ligação com o tema central deste blog (Vaga Memória), quando ele visita uma suposta exposição de objetos com os quais conviveu:

Hay que buscarla; una negligencia perdonable, debida sin duda a la novedad que esta institución introduce en los anales de la museología, no subraya lo suficiente el camino que conduce a ella. Es la sala que queda junto a los baños. Está siempre a oscuras (otro detalle que tal vez ahuyente al visitante), y atesora un puñado selecto de recuerdos. No son fotografías, ni trozos de celuloide proyectado, ni siquiera voces grabadas. Son recuerdos, y lo que aparece ante los ojos del visitante es la materia de la que están hechos y en la que perviven, esa especie de aire granulado en el que a veces se dibujan gestos, figuras, escenas. Hay muchos. La mayoría no suele superar los diez o quince segundos de exposición, el tiempo promedio"

19/05/2025

Coetzee - Contos Morais

Sete contos curtos e perturbadores. Leitura rápida, mensagens enigmáticas e duradouras.Você fecha o livro e tem a sensação que precisa continuar pensando por muito mais tempo do que esteve lendo... são poucos os livros que levam a isso com certeza...

03/05/2025

O desaparecimento da narrativa ou por que as vacas voam

Este texto tomei conhecimento lendo uma matéria no El Pais, da escritora Pilar Fraile. Em seguida, encontrei o mesmo traduzido no Blog do Noblat.

Vale a leitura... uma visão sobre a atual indiferença às narrativas, proporcionado principalmente pela proliferação de conteudos digitais. Uma pergunta feita no texto:

"Como pode ser que estejamos tão vazios que nem em nossos sonhos somos capazes de inventar nosso próprio mundo?"

04/02/2025

Inteligencia Artificial: lembra de "2001, uma Odisséia no Espaço"?

Estamos em 2025 e na midia só se fala de IA (Inteligencia Artificial). Desde canais voltados à tecnologia até àqueles que tratam de assuntos triviais e rotineiros, este é o assunto da vez...

Mas é nestes momentos que devemos lembrar de quem já tratava disto (e com muita capacidade) há muito tempo atrás... 1968 pode ser?

Este ano foi o lançamento do incrivel filme de Stanley Kubrick com roteiro em parceria com Arthur C. Clarke, um dos mestres da ficção científica.

Vamos lá:

No filme, o "mundo melhor" que se está buscando estaria em Júpiter. Então, "para chegar à esta meta, construiu-se uma espaçonave controlada por um supercomputador, o HAL 9000, ou simplesmente Hal para os cinco membros da tripulação. Hal foi programado para pilotar a nave até o destino final, com instruções específicas de eliminar qualquer obstáculo. Máquina de inteligencia artificial, Hal é capaz de conversar e interagir como um ser humano e chega mesmo a simular emoções humanas. Mas, ao contrário dos humanos, Hal é supostamente incapaz de cometer erros.

Passado algum tempo, Hal anuncia que há algo errado no sistema de comunicação da nave. Um dos tripulantes, Bowman, sai para consertar o defeito, mas não encontra nenhum. Na Terra, os controladores concluem que Hal deve estar errado. Bowman e outro tripulante resolvem desligar o computador para evitar mais problemas, mas apesar de seus cuidados, Hal descobre o plano e elimina o parceiro de Bowman e corta o suprimento de oxigênio dos outros  membros da tripulação. Forçado a enfrentar Hal sozinho, Bowman se dá conta que o "erro" de Hal fora premeditado. Instruido a levar a nave ao seu destino "custasse o que custasse", Hal concluira que o maior obstáculo à missão era a falibilidade da inteligencia humana: como os programadores não haviam inserido em sua "mente" a proibição de matar a tripulação, Hal logicamente decidira eliminar a fonte de todos os erros possiveis: os próprios seres humanos." (*)

E então? Ficção ou bem perto da nossa realidade de hoje?

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(*) texto retirado de "A Cidade das Palavras" de Alberto Manguel